A Lenda da Água Milagrosa

LENDA DA ÁGUA MIRACULOSA
O padre José de Anchieta – que dizia que “espada e vara de ferro era a melhor pregação” ( 18 ) – registrou o “sonoro e brando sussurro” da água que milagrosamente jorrou de uma fonte, “fora do frontispício da igreja, ao pé de uma frondosa árvore, quando o padre Francisco Pires celebrava ali o santo sacrifício da missa”.
Além de Anchieta, inúmeras versões foram apresentadas e divulgadas sobre o milagre em questão. Baltasar Teles (Chronica da Companhia de Jesus na Provincia de Portugal – Lisboa, 1645 -), Gabriel Soares (Tratado Descritivo), Frei Vicente do Salvador (Historia do Brasil), etc. Mas, segundo Rodolfo Garcia ( 19 ), é o padre Simão de Vasconcelos – Chronica da Companhia de Jesus no Estado do Brasil (Rio de Janeiro, 2ª edição, 1864), que detalha “com mais pormenores”, a questão:
“Um velho lenhador, habitante de um rancho colmoso à aurela da costa, subindo certo dia o ápice da montanha, na suposição de encontrar melhor madeira (…) topa surpreso, em um calhau: era a milagrosa santinha!
Tornando-se um ermitão peregrinava em torno, fazendo curas miraculosas milagrosas, cujos proventos se destinavam ao levantamento de uma igreja, a que deu o nome deb Nossa Senhora d’Ajuda”.
Contaram uma outra versão: “Vendo um irmão um tronco de uma árvore muito junto à ermida, pediu à Nossa Senhora o milagre de lhe dar água naquele lugar. Nóbrega, que se achava presente, lhe disse que “mais podia a Senhora”. Vão-se logo dali todos a dizer missa e no meio do santo sacrifício, arrebentou de súbito um grande jorro de água no lugar assinalado no tronco da árvore junto ao Altar de Nossa Senhora. Cresce a opinião da virtude do Padre Nóbrega, a cuja intercessão atribuem o milagre da água que ainda hoje corre…”
Há uma outra, muito semelhante: “No alto de uma planície, morava um fazendeiro que não gostava de ver passar pelas suas terras, aqueles religiosos que iam e viam carregando água. Um dia, não suportando mais a invasão, determinou a proibição dessa passagem. Logo, os fiéis não pararam de rezar, a suplicar o milagre de uma fonte de água, para seu trabalho e sua sede, o que, num momento, aconteceu em plena hora da missa. E o fazendeiro, arrependido, resignou-se à religião cristã e comungou com os fiéis, unindo-se a eles”.
Por sua vez, o Pe. Serafim Leite, na sua “História da Companhia de Jesus” (Rio, edição – 1945, pg. 408), afirma que foi Vicente Rodrigues o descobridor da fonte, e conta outra história: “Estando dois padres em Porto Seguro, Arraial de Nossa Senhora da Ajuda, fundando 1 casa e não tendo água que fosse boa para beber, desejando ali perto uma fonte, quis Deus que neste caminho caiu um monte e com o abrir da terra, se abriu a mais famosa fonte que agora há naquela terra”.
O escritor J. da Silva Campos, registra uma outra lenda, não sobre a água miraculosa, mas, sobre a construção da “Capela d’Ajuda”, bem interessante: “Quando foi construida, a igrejinha apresentava posição inversa da atual. A imagem, porém, amanhecia de contínuo com as costas para o mar. Até que deram contrária posição do santuário, como agora se vê”.(20).
E diz ainda aquele escritor, “que da igreja parte um subterrâneo misterioso, o qual encerra os fabulosos tesouros abandonados pelos jesuitas do Colégio desta Capital, na ocasião em que foram expulsos pelo conde de Oeiras”.