A origem do nome

ORIGEM DO NOME

​O Arraial de Nossa Senhora da Ajuda – batisado com este nome de tradição cristã-branca – foi mais uma homenagem a Tomé de Souza e aos primeiros jesuitas que aqui chegaram em 1549, com suas três naus: Conceição, Salvador, e Ajuda – que viriam a ser “nomes da cidade e de suas primeiras igrejas”.( 1 ).

​O Arraial, entretanto, não participa da chamada “rede urbana do século XVI”, como Porto e Cabrália, que balançaram logo nos primeiros anos do “Achamento Português” do Brasil, a partir de 1500. Antes da construção da igreja ou praticamente no início dos anos de 1500 não era nada além de um planalto ou de uma “coroa de um oiteiro” onde havia uma plantação de um canavial. Até mesmo por essa época a igrejinha era citada como se fosse situada “na capital de Porto Seguro pelo padre Francisco Pires que chegou por aqui em 1550” como registra Rodolfo Garcia, no livro do padre Fernão Cardim ( 2 ).

​Na formação do povoado, o ciclo da cana-de-açúcar, foi o seu 1º passo em falso,comprovando-se com o relatório do Duque de Lemos, Capitão de Porto Seguro, em 14 de julho desse mesmo ano: “Os armadores desta capitania e moradores della, não tinham outro repairo para pagarem fretes de seus navios por ainda haver pouco asuquere.”. ( 3 ).

​Também o ciclo do cacau que só começou a se desenvolver a partir de 1720. Até 1855 quando era a base econômica de toda a Bahia. Relativamente, tiveram influências, como a da pesca, da farinha de mandioca, da piaçava, etc. Mas a maior de todas foi sem dúvida a Romaria, a peregrinação religiosa, onde centenas de indivíduos vinham de “algumas partes da costa, em romaria, e outros para o mesmo efeito mandam buscar água dela”, ( 4 ).

​A própria palavra ROMARIA traz o significado de “festa de arraial” ou “reunião de pessoas que formam arraial”, segundo os filólogos.

​Propagado pelos jesuitas, que “fez Nossa Senhora mercê de abrir milagrosamente aquela fonte” ( 5 ), a boa nova do milagre se espalhou por todas as capitanias do Brasil. Até daí ficou co-

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​nhecido, não como povoado, mas, como escrevia Anchieta: um lugar que ficava a uma légua da povoação dos portuguêses – isto é, a seis quilômetros de Porto Seguro. O Arraial quase ou sem ninguém. No próprio livro de Cardim, faz-se referência a Porto e não ao Arraial, quando Francisco Pires é citado: “A ermida de N.S. da Ajuda foi fundada na capital do Porto Seguro pelo padre Francisco Pires” ( 6 ).

​Na segunda metade do século XVI, Shouthey relata que por aqui o pânico se espalhou, quando, revoltados, os Aimorés destruíram engenhos, incendiaram casas, enfim, arruinaram Porto Seguro. E, se por aqui existiu alguma aldeia, também, por certo, sucumbiu.

​Cem anos depois, o Ouvidor Tomé Couceiro de Abreu escrevendo ao rei de Portugal sobre as “Vilas e Rios da Capitania de Porto Seguro”, faz menção a de Trancoso e Vale Verde, mas, não menciona Ajuda. Quer dizer, pelos anos de 1763 o Arraial não existia, nem como aldeia ou vila.

​Não há documentos que comprovam, nem vestígios “existenciais”, de que aqui, um dia, foi vila, Gabriel Soares, dar a entender que aqui se chamava Vila de Santo Amaro: “De Porto Seguro à villa de Santo Amaro é uma légua, onde está um pico mui alto, em que está uma ermida de Nossa Senhora da Ajuda, que faz muitos milagres”. (7).

​No livro “Porto Seguro – Da aldeia de Pescador a Aldeia Global ( 8 ), o autor, chama o Arraial de “Vila de Insuacome”. Na minha opinião, ambos trocaram de lugar, por que Ajuda é um visinho de terra à vista de Porto Seguro, entre os rios Buranhém e Rio da Barra. Não se coloca em dúvida que ambas as vilas existiram, tanto a de Santo Amaro como a de Insuacome, mas, não, nesse território ou só de foi por extensão de limites das escrituras do Santo Ofício.Temos a favor, o testemunho do cientista Maximiliano que comprovou em 1815/17, caminhando pelo litoral, de Caravela a Belmonte, onde encontrou: “Uma planície seca de campos denominada Jauacema ou Juacema. Nesse local, de acordo com a tradição dos moradores, houve, outrora, nos primórdios da colonização portuguesa, a grande e populosa Vila do mesmo, ou Insuacome, mas que, a maneira de Santo Amaro, Porto Seguro foi destruida pela guerra”. ( 9 )

​Discorrendo sobre os aspectos sócio-econômicos das “Vilas Criadas em 1758”, diz Luis Dias Tavares que o Tribunal do Conselho de Ultramar, com sede em Salvador, mandava

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​proceder um levantamento minucioso da situação das aldeias. Em principal, “duas ordens de preocupações”: “Os índios possuíam condições materiais de subsistência? Existiam elementos indígenas capazes de responder pela administração, defesa e manutenção das aldeias?” ( 10 ).

​Essas condições sobraram a Trancoso e Vale Verde que faziam jus (?) às orientações e determinações oriundas de Lisboa: “quantos eram os sesmeiros, foreiros, arrendatários” etc., incondizente com o Arraial de Nossa Senhora da Ajuda. Cadê as provas do “Auto de Levantamento do Pelourinho e o da Aclamação da Vila”?

​Mesmo no início do século XIX, Ajuda não parecia existir. Pelo menos, com alguma notoriedade. E Maximiliano ao atravessar o Rio da Barra em direção a Porto Seguro, ora pelo litoral, ora pela mata, chega à foz do Rio Buranhém, ilustra e contempla Porto Seguro, mas não faz nenhuma referência ao Arraial. Somente observou (quando caminhava pela praia): “gente procurando ouriços comestíveis nos bancos rochosos descobertos pela maré” ( 11 ).

​Um testemunho, com um naipe só – de que havia gente morando por perto, nos primeiros anos do século XIX.

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