A culinária do ouriço

A CULINÁRIA DO OURIÇO
“Na maré que Deus secá
e as pedras ficá de fora,
é bom pra pegá ouriço!…”
(Lucília da Conceição)
Por toda essa imensa costa do litoral brasileiro, pouco soube do hábito tradicional de se comer ouriços-do-mar, como aqui no Extremo Sul baiano, particularmente, na Ajua. Wied já registrava há 177 anos passados, quando por aqui viu que “havia gente procurando ouriços”.
Esse precioso alimento que os nossos índios chamavam de pindaúna ou pinaúna, (termo esse conhecido de muitos caboclos remanescentes) de pindá (espinho, garra) e de una (escuro, preto) até hoje tradicionalmente se repete na culinária dos moradores mais antigos. Só não nos tempos de inverno, por ocasião do “vento leste”, que não os buscam, que é um período de ouriço magro e sem ovas. No mais, é impressionante e bonito de se ver, por sôbre as pedras descobertas pelo mar, a mãe, a avó, a tia, os filhos, os netinhos , todos, agachados, ajudando na pesca do ouriço. Quebrando os ovados ouriços com um facão, lavando alí mesmo, temperando com o sal do mar e que até alí mesmo comem, acompanhado da farinha de mandioca. Outros levam em litros na lata, para vender.
Essa alimentação é tão significante pra o ajudense, que não perdeu até hoje o hábito. Lembro uma ocasião de aqui se organizar um time de futebol (nos anos de 84/85), isto é, a escolha de um nome que retratasse fielmente as coisas do lugar, do seu passado etc. de pronto os atletas do Arraial escolheram: “Água Azul Ouriço Clube”. Chamar o ajudense de “comedor-de-ouriço”, não é um apelido espinhoso, é uma alegre verdade e das graças de Deus…