Dos Pássaros

DOS PÁSSAROS
A flora e a fauna do Extremo Sul da Bahia, envoltas com o incessante desbravamento durante tantos e tantos anos, sofreu e vem sofrendo consequências desastrosas. Das variadas espécies de pássaros que existiam e encantavam a beleza do lugar, já se pode, hoje, anotar menos de vinte. Aqui morou uma artesã que incentivava as crianças do lugar, pagando a eles, certa quantia em dinheiro, por ave capturada viva ou morta. Quem ia até a sua casa, nas cordas dos arames, dependurados, lá estavam – secando ao sol -, os sabiá, os tiê-pinanga (sangue de boi), os sanhaços e outros, que chegavam à suas mãos levados pela garotada, com seus tiros certeiros de bodoque e atiradeira. essas penas com que adornava seus trabalhos, tinham um endereço certo, pela raridade que elas representavam.
Mas não só o artesanato foi a causa do desapareciemto gradativo dos passarinhos. As consequências cabiam, em parte, também, às construções das casas e pousadas, cujos proprietários, sem noção do Ecossistema, muito corroboraram com esse extermínio, devido as construções transparentes, dos enormes vidros nas varandas e janelas, que “iludiram” os passarinhos, que se abarroavam de encontro ao vidro e tinham morte instantânea.
Dos pássaros que relacionei, todos daqui conhecidos, estão rareando:
Anum – o preto e o branco mariscado. Aracuã – dizem que há cinco espécies no Brasil; Quando é novinho, cria-se tão facilmente solto, como se fosse de casa; Come na mão, anda por todos os comodos, sem que o dono necessariamente o torne cativo. Bastião – Os portugueses o chamavam de “Sebastião”; em Minas é conhecido como sabiá-do-mato-virgem. Beija-flôr – três variedades por aqui: o marrom pequenininho, o azul e esverdiado, e o negro. Brejal. Bem-te-vi – Contou-me Cancela, um Pataxó remanescente dos indios de Barra Velha, que seus avós falavam que toda essa briga existente entre indios e brancos, foi por causa desse pássaro. da encrenca do filho do branco com o filho do caboclo, aquele jogou sujo levando o pássaro que pertencia a este. Caboré, Chorão, Chororão, Curica, Curió, Fino, Guriatã, Jacupena, Japu, Juriti, Rolinha, Paó, Pêga, Papacapi, Sabiá (da mata, da praia, pimenta, cantadeira), Sanhaço e outros poucos.
Pinheiro Pucu 1993. Historinha do Arraial de Nossa Senhora dAjuda