Escultura Relacional: Conceito

A Escultura Relacional é a expansão da prática tridimensional clássica para o campo das interações humanas, da coabitação e dos sistemas sociais. Em vez de moldar matérias tradicionais (como bronze, pedra ou madeira) sobre um pedestal, o artista esculpe situações, encontros, diálogos, rituais comunitários e dinâmicas de espaço-tempo. A obra deixa de ser um objeto passivo de contemplação e passa a existir no tecido relacional e na participação ativa do público.

Características Fundamentais

  • O Tecido Social como Matéria-Prima: A convivência, a troca interpessoal, a presença do outro e o tempo compartilhado funcionam como os elementos plásticos da obra.
  • Do Objeto à Situação: A escultura se desloca do objeto tridimensional estático para a criação de contextos, microutopias temporárias e dispositivos de convivência.
  • Participação Ativa: O público deixa de ser espectador para se tornar coautor, ativando a experiência através do toque, do diálogo, da habitabilidade ou da ação coletiva.
  • Precursor Histórico (Escultura Social): Origina-se conceitualmente na Soziale Plastik (Escultura Social) de Joseph Beuys, que defendia a capacidade da arte de moldar o pensamento, as estruturas políticas e as relações comunitárias.

Referências Bibliográficas Fundamentais

Teoria Principal e Conceituação (Estética Relacional)

  • ​BOURRIAUD, Nicolas. Estética Relacional. São Paulo: Martins Fontes, 2009. (Obra seminal que define o campo da arte relacional e as microutopias de sociabilidade dos anos 1990).

Crítica e Antagonismo Social

  • ​BISHOP, Claire. Artificial Hells: Participatory Art and the Politics of Spectatorship. Londres/Nova York: Verso, 2012. (Análise crítica sobre as contradições, o conflito e o impacto político nas práticas participativas e relacionais).
  • ​BISHOP, Claire. Antagonism and Relational Aesthetics. October, vol. 110, p. 51-79, 2004.

O Campo Ampliado e a Matriz da Escultura

  • ​KRAUSS, Rosalind. A Escultura no Campo Ampliado. Gavea, Rio de Janeiro, n. 1, p. 87-93, 1984. (Ensaio de 1979 que analisa a ruptura da escultura com o monumento clássico e sua expansão para a paisagem e o espaço situacional).

Precursores e Práticas Sociais

  • ​BEUYS, Joseph. What is Art? Conversation with Volker Harlan. Londres: Clairview Books, 2004. (Fundamentação da Escultura Social / Soziale Plastik).
  • ​JACKSON, Shannon. Social Works: Performing Art, Supporting Publics. Nova York: Routledge, 2011. (Estudo sobre como as práticas artísticas relacionais dependem e revelam infraestruturas sociais e redes de apoio mútuo).

Matriz Brasileira e Neoconcretismo (Ancestralidade Relacional no Brasil)

  • ​CLARK, Lygia. Lygia Clark. Catálogo de Exposição. Rio de Janeiro: Funarte, 1980. (Sobre os Objetos Sensoriais e o abandono do objeto estético em prol da experiência relacional e terapêutica).
  • ​OITICICA, Hélio. Aspirção à Prensa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. (Reflexões sobre os Parangolés, a vivência comunitária da Mangueira e a arte como habitação e corpo).

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *